Vida de tapper: veja como é o trabalho de quem sinaliza chegada na borda da piscina em competições dos Jogos Paralímpicos de SP

Profissional manuseia bastão com ponta de espuma que auxilia nadadores com deficiência visual

Agência SP – Publicado em 10/11/2025 – 16:40

Nas provas de natação da classe S11 (deficiência visual muito baixa ou total), a interferência de uma figura que está fora da piscina pode determinar um pódio. O tapper, como é chamado o profissional que fica na borda da piscina segurando um bastão com a ponta de espuma, é responsável por sinalizar quando um nadador se aproxima da batida de mão.

Embora o tapper tenha como função primária encostar o acessório no atleta, não é qualquer pessoa que pode se encarregar de executar essa tarefa. Geralmente, quem assume esse posto é um treinador de natação. Na final estadual dos Jogos Paralímpicos do Estado de São Paulo (Paresp), Renato Bartolo, técnico experiente e com participação nas Paralímpiadas de Londres-2012, foi o tapper da vez da equipe de Santos.

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O resultado do trabalho entre tapper e atleta depende muito da sintonia entre eles, adquirida com a constância de treinos. “É muito importante conhecer as características e o ritmo do seu atleta para não atrapalhar a performance dele”, diz Renato.

Algumas técnicas são indispensáveis para que a chegada na borda da piscina seja perfeita. O tamanho do bastão, por exemplo, pode variar de acordo com o ritmo do nadador.

“No caso de um atleta mais veloz, de nível de seleção brasileira, o indicado é um bastão mais longo, para alcançá-lo mais distante da borda e sinalizar que é preciso acelerar para fazer uma boa chegada. Para atletas de pouca velocidade, geralmente os que ainda estão iniciando na paranatação, utiliza-se um bastão menor, apenas para anunciar a chegada”, conta ele.

A parte do corpo onde o nadador será tocado também é um componente definidor neste tipo de disputa. Com exceção do nado costas, onde o toque é no tórax, nas demais provas o toque é nas costas.

“É preciso tomar muito cuidado para não encostar no braço do atleta e atrapalhar a sua braçada ou em seu rosto”, explica.

Nos dois dias de final estadual do Paresp, a natação santista, sob a batuta de Renato, levou de volta para a Baixada Santista uma medalha de ouro, duas de prata e seis de bronze.