Aulas de remo na USP ajudam paciente na recuperação do câncer de mama

Da UBS ao Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Rafaela também faz reabilitação em aulas de remo na USP

Agência SP – sex, 31/10/2025 – 17:42

O primeiro dia de Rafaela Reis, 42 anos, na Raia Olímpica da USP foi de choro e alívio. “É como se eu tivesse mergulhado naquele rio de águas profundas no início do tratamento e não sabia como ia sair”, lembra. 

Após enfrentar quimioterapia, cirurgia e radioterapia, ela se tornou uma das remadoras rosas do Programa Remama. A iniciativa do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) auxilia na recuperação de mulheres em tratamento ou remissão do câncer de mama.

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A psicopedagoga foi diagnosticada em 2023 com o câncer de mama triplo negativo, um dos mais agressivos da doença. Durante o tratamento, Rafaela perdeu força no braço devido a uma cirurgia. 

O tratamento acabou oficialmente em janeiro deste ano. Em maio, ela encontrou no remo um caminho para recuperar sua força física e emocional. “No início, achei que nunca mais fosse conseguir fazer as coisas do dia a dia. Quando vi mulheres remando, pensei que nunca estaria no lugar delas. Mas consegui”, contou.

O que é o Remama

Criado em 2013, o Remama é resultado de uma parceria entre o Icesp, o Centro de Práticas Esportivas da USP (Cepeusp) e a Rede de Reabilitação Lucy Montoro. O programa oferece às mulheres em tratamento ou remissão do câncer de mama sessões de remo supervisionado e acompanhamento físico especializado.

O objetivo é fortalecer a musculatura dos membros superiores, prevenir o linfedema (inchaço do braço comum após a cirurgia), reduzir a fadiga e melhorar a autoestima. As participantes passam por treinamento inicial no centro de reabilitação do Icesp antes de remar em equipe, em barcos-dragão, na Raia Olímpica.

“Quando vi mulheres remando na internet, pensei que nunca conseguiria fazer o mesmo. Depois soube que o projeto era do Icesp. Até durante o remo, eu chorei. É como se eu tivesse mergulhado naquele rio de águas profundas no início do tratamento e não sabia como ia sair. No remo, eu vi que deu tudo certo”, conta

Da UBS ao tratamento no Icesp

A jornada de Rafaela começou com um movimento simples em casa. Durante um autoexame, sentiu um pequeno nódulo na mama. Procurou atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde realizou ultrassom. Encaminhada ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), recebeu o diagnóstico de câncer de mama triplo negativo, tipo que representa entre 10% e 15% dos casos e exige tratamento intensivo.

No Icesp, unidade de referência em oncologia que atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), Rafaela iniciou o tratamento com 12 sessões de quimioterapia, seguidas de mastectomia e radioterapia. A mudança na rotina foi drástica. “Tinha dias em que eu não conseguia sair da cama ou cuidar das minhas filhas. Mas eu decidi mostrar força”, lembra.

Durante todo o processo, recebeu acompanhamento psicológico e apoio multidisciplinar. “A doutora Ângela me orientou a começar logo no início. Faço até hoje. Foi essencial para entender e lidar com tudo: a perda da mama, a mudança na rotina, o pós-tratamento.”

Cuidado integral e acolhimento

Desde 2008, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – Octávio Frias de Oliveira, vinculado ao Hospital das Clínicas da da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e à Secretaria de Estado da Saúde, oferece tratamento oncológico completo pelo Sistema Único de Saúde (SUS). É o maior centro público de oncologia da América Latina e atua com equipes médicas, psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais.

O modelo de cuidado do Icesp se baseia em atenção integral e humanizada, com atendimento multidisciplinar e a reintegração do paciente à vida social — uma filosofia que o Remama simboliza. “Aqui somos vistas como pessoas, não apenas pacientes. Recebemos todo o apoio que precisamos”, afirmou Rafaela.

Outubro Rosa e prevenção

Neste Outubro Rosa, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de mama, a história de Rafaela reforça que o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo salvam vidas. “Prevenir dói menos do que tratar. É preciso olhar com carinho para si o ano todo”, disse.

Mulheres podem buscar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de todo o Estado para avaliação e encaminhamento para mamografia. Mais informações sobre exames e serviços da rede estadual estão disponíveis no portal da Secretaria da Saúde: saopaulo.sp.gov.br/saude